A história de Roberta Crispim Lourenço, de 45 anos, é um exemplo de que nunca é tarde para recomeçar e perseguir sonhos. Ela enfrentou desafios pessoais, profissionais e acadêmicos até conquistar o diploma de Fisioterapia e, agora, iniciar uma residência na área de Atenção ao Paciente em Estado Crítico, na cidade de Timbó, em Santa Catarina.
A inspiração para seguir a profissão surgiu ainda antes da faculdade, em um momento marcante de sua vida familiar. Seu pai passou um período dependendo de uma cadeira de rodas para se locomover, mas, após sessões de fisioterapia, conseguiu voltar a andar.
“Quando vi a recuperação dele, pensei: é isso que eu quero fazer. Sempre gostei de cuidar das pessoas e percebi que a fisioterapia me permitiria transformar vidas da mesma forma que ajudou a transformar a vida do meu pai”, relembra.
O caminho até a realização desse sonho, porém, não foi simples. Antes de vestir o jaleco de fisioterapeuta, Roberta trabalhou em diversas funções. Foi babá, estoquista, auxiliar geral e cozinheira doméstica por mais de dez anos. Nos dois últimos anos da graduação, conciliou a rotina de estágios com o trabalho como diarista para conseguir seguir estudando.
A colação de grau aconteceu em janeiro de 2026, coroando uma jornada marcada pela persistência. Depois de muitos anos longe dos estudos, ela precisou enfrentar dificuldades que iam além do conteúdo acadêmico.
“Estudar novamente foi um grande desafio. Aprender sobre o corpo humano e suas funções exigiu muita dedicação. Além disso, eu era a aluna mais velha da turma e não tinha afinidade com tecnologia. Precisei ter muita paciência comigo mesma e acreditar que era capaz”, conta.
Poucos meses após a formatura, Roberta conquistou uma vaga na residência de Atenção ao Paciente em Estado Crítico e se mudou para Timbó, onde vive desde março deste ano. A experiência tem representado uma nova etapa de crescimento profissional e pessoal.
“Não existe tempo, idade ou condição financeira que impeça alguém de realizar um sonho. O importante é dar o primeiro passo. Depois, as coisas vão se encaixando. Olhar para trás e ver o quanto conseguimos avançar é algo muito gratificante”, afirma.
Mesmo vivendo um momento especial na carreira, Roberta já pensa nos próximos passos. Após concluir a residência, pretende continuar se especializando e tem como objetivo cursar uma pós-graduação em Fisioterapia em Gerontologia.